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Uma breve análise sobre o cenário atual

05/08/2019

Taxas de juros

Nosso cenário econômico ainda respira com dificuldades e, não à toa, recentes cortes na taxa Selic demonstram a preocupação da equipe econômica do governo. O corte decidido na última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) trouxe a mais baixa taxa de juros da história do país e tem como principal objetivo reanimar a economia, buscando incentivar novos investimentos produtivos, na esperança que os spreads bancários acompanhem a redução. O mercado ainda espera novas reduções para os próximos encontros do COPOM, estimando um corte de mais 0,25 p.p. levando a taxa para 5,75% até o fim do ano.

SELIC % – Previsão x Real

 

SELIC % - Previsão x Real

Fonte: Trading Economics

Em termos de comparação de taxas entre países que fazem parte do G20, o México está com 8,25%; Turquia 19,75%; Argentina 55,99%; Rússia 7,25%; Índia 5,75%; China 4,35%; Estados Unidos 2,25%. A Zona do Euro trabalha com juros zerados no momento, enquanto Suíça e Japão atuam com juros negativos. Os norte-americanos reduziram recentemente sua taxa e observamos que países desenvolvidos ainda sentem dificuldades econômicas.

 

PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil foi de 1.868,63 bilhões de dólares em 2018 e representa 3,01% da economia mundial, apesar do país ser uma das 10 maiores economias do mundo. O PIB no Brasil apresenta uma média de 679,13 bilhões de dólares entre 1960 a 2018, alcançando seu recorde histórico de 2.616,20 bilhões de dólares em 2011 e seu pior resultado de 15,17 bilhões de dólares em 1960.

As projeções e o otimismo para crescimento do PIB em 2019 no Brasil têm sido frustradas, invariavelmente. Em janeiro deste ano o Boletim Focus do Banco Central apresentava uma expectativa de crescimento anual 2,55%, que veio caindo até a última divulgação de 0,82% no mês de julho. Essa redução pode ser atribuída ao baixo consumo das famílias e aos investimentos produtivos que ainda não estão ocorrendo, sem esquecer que a produção industrial sofre com impactos nos setores da mineração. No segmento de agronegócios, extremamente relevante e base para a estrutura da riqueza do país, apresentou leve contração de 0.1% quando comparado o trimestre do ano anterior, com expectativa de melhor desempenho para o segundo trimestre. O destaque positivo fica com o setor de serviços, que tem mostrado reação. A divulgação do PIB do segundo trimestre está prevista para o dia 29 de agosto sendo esperado 0.7%.

PIB do Brasil (USD bilhões)

PIB do Brasil (USD bilhões

Fonte: Banco Mundial

PIB Trim da Agricultura do Brasil (R$ milhões)

PIB Trim da Agricultura do Brasil (R$ milhões)

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

PIB (%) – Trim Histórico

PIB (%) - Trim Histórico

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

PIB Trim (%) – Prev x Real

PIB Trim (%) - Prev x Real

Fonte: Trading Economics

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 12,0% no segundo trimestre de 2019, contra 12,7% no período de janeiro a março. O saldo do número de empregos gerados foi positivo em 621 mil em relação ao período anterior, ou 4,6%, para 12,766 milhões de pessoas.

São 93.342 milhões de pessoas trabalhando, com destaque positivo registrado na administração pública, defesa, seguridade social e educação (+469 mil); indústria (+319 mil); agricultura, pecuária, silvicultura, pesca e aquicultura (+233 mil); serviços domésticos (+151 mil); outros serviços (+150 mil); construção (+87 mil); transporte, armazenagem e correio (+72 mil); e atividades de informação e comunicação, finanças, imóveis, atividades profissionais e administrativas (+42 mil).

Os setores que apresentaram saldo negativo com perdas de emprego foram no comércio (-11 mil), e hotéis e restaurantes (-7 mil).

A expectativa é de que a taxa de desemprego continue caindo, assumindo nova tendência conforme as medidas econômicas, reformas e acordos comerciais forem ocorrendo.

Taxa de desemprego – Histórico

Taxa de desemprego - Histórico

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

 

Taxa de desemprego – Prev x Real

Taxa de desemprego - Prev x Real

Fonte:Trading Economics

 

Taxa de inflação

A taxa de inflação (IPCA) voltou para níveis abaixo da meta (4,25%) fechando o mês de junho com 3,37% no acumulado de 12 meses. Foi a menor taxa de inflação desde maio do ano passado, em meio a uma desaceleração no custo de alimentos e bebidas não-alcoólicas, habitação e transporte. A taxa de inflação no Brasil está estimada em 3,90% até o final deste trimestre, de acordo com as expectativas dos modelos macro e analistas globais.

Evolução IPCA (12 meses) | Meta

Guerra comercial e cambial

O cenário econômico ainda é frágil, tanto no mercado doméstico quanto no mercado global, com Estados Unidos e China protagonizando mais um capítulo da guerra comercial.

A economia mundial ainda patina e a guerra comercial e cambial não dão trégua, sendo travadas de maneira mais aberta na relação Estados Unidos e China, onde os norte-americanos estão tarifando os produtos chineses, que por sua vez tentam compensar tais tarifas através da desvalorização de sua moeda, entrando assim em um “looping”. Quanto mais a moeda chinesa é desvalorizada, mais tarifas os americanos estão impondo, e aparentemente essa guerra irá seguir até que um dos lados resolva ceder ou simplesmente não aguentar mais. E aparentemente nenhum dos lados sinaliza que isso vai acontecer rapidamente.

Obviamente que o consumidor norte americano não está disposto a pagar mais caro por um produto devido a impostos mais alto, sendo assim, a China se vê obrigada a desvalorizar sua moeda, ou mesmo abrir mão de margem de lucro, para conseguir compensar tais tarifas e buscar competitividade. Fazendo uma analogia da brincadeira em que duas partes puxam a corda para o seu lado, será que teremos algum vencedor nesse “câmbio de guerra”?

 

Somos membros de um mundo complexo

Apesar de termos um cenário doméstico com indicadores se desenvolvendo de forma muito positiva, com taxas de juros baixas, câmbio estável, inflação controlada, taxa de desemprego entrando em tendência de baixa, expectativa de aprovação da reforma da previdência e de reformas estruturais significantes estarem na pauta, é importante lembrar que somos uma célula de um mundo que está apresentando sinais de instabilidade econômica que se arrastam desde a crise de 2008.

Além de guerras cambiais e comerciais, tensões geopolíticas ainda estão na pauta, com novos testes de mísseis norte-coreanos, e principalmente por ações militares contra petroleiros ocorrendo no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, com Irã, Grã Bretanha e Estados Unidos como protagonistas.

Até o momento, o preço do petróleo não foi impactado como esperado por alguns analistas, mas qualquer pequena fagulha pode iniciar um grande conflito, onde muitas nações estão procurando reforçar suas defesas como há muito tempo não era visto, inclusive o Brasil.

É salutar que gestores e executivos se lembrem de considerar cenários e planos onde não apenas guerras comerciais possam se acentuar, mas possíveis conflitos bélicos possam emergir. Na medida em que as operações podem ser impactadas com esse tipo de evento, empresas que estão sujeitas a importação e exportação certamente seriam afetadas, correndo o risco de suas operações poderiam ficar comprometidas. Além de hedges (proteções cambiais), é importante criar cenários e hipóteses, determinando possíveis planos de contingência.

Patrick Silva é especialista em Controladoria e Finanças, graduado em Ciências Contábeis, com Especialização em Controladoria, com MBA Executivo em Finanças pela FGV/SP, e ex-aluno do Programa CFO Strategic ISAE.

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