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Mercado de trabalho no Brasil: PNAD/M aponta taxa de desemprego de 13,70%.

* Jefferson Marcondes Ferreira

Em 30/09/21, o IBGE divulgou dados referentes à PNAD/Mensal, que apresentou uma taxa de desemprego de 13,70% no trimestre mai-jun-jul/2021. Quando comparado ao trimestre anterior, verifica-se uma redução de 1%, que significa 676 mil pessoas que encontraram ocupação. Em comparação com o mesmo período ocorreu uma redução 0,10%. Contudo, algo em torno de 955 mil pessoas que perderam seu trabalho quando se comparam os trimestres entre 2020 e 2021, conforme mostra o gráfico a seguir:

Evolução da Taxa de Desemprego Trimestral (Pnad/Mensal)

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar a evolução da taxa de desemprego, tanto em relação ao mesmo período em 2020 quanto ao trimestre anterior, é possível observar a continuidade da retomada lenta e gradual na geração de emprego, que em parte, é explicada pelo retorno ao trabalho presencial em diversas atividades econômicas, principalmente de serviços, após o início do processo de imunização da população contra o COVID-19.

Mercado de Trabalho: Análise da mão de obra ocupada no Brasil (mai-jun-jul/2021)

Analisando os dados da Pnad/Mensal no período de mai-jun-jul/2021, observa-se que o total de pessoas aptas a trabalhar teve um acréscimo de 3,157 milhões quando comparado ao mesmo período em 2020, conforme descrito na tabela:

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar as pessoas aptas a trabalhar, mas que estão desempregadas, vê-se aumento de 955 mil pessoas em relação ao mesmo período em 2020. Este movimento é, em parte, explicado pelo aumento da população que conseguiu ocupação, bem como por pessoas que haviam desistido de procurar trabalho e voltaram a procurar. Já com relação àquelas que encontraram ocupação no período, houve crescimento de cerca de 7 milhões, o que representa aumento de quase 8,5%.

Quando se analisa a variação de vagas do trabalhador entre os setores de trabalho, comparativamente entre o período de mai-jun-jul de 2020 e 2021, verifica-se que o setor privado com carteira assinada teve aumento de 1,246 milhão de trabalhadores que encontraram trabalho formal na comparação com 2020, conforme apresentado no gráfico.

Variação das pessoas ocupadas nos setores (mai-jun-jul de 2020 e 2021)

Fonte: Pnad/M (IBGE)/ ilustração: ISAE.

No setor privado sem carteira assinada (leia-se informalidade), observou-se aumento de 1,648 milhões de trabalhadores. Referente ao setor doméstico, este apresentou aumento de 739 mil trabalhadores que encontraram atividade remunerada. Já no setor público, houve redução de 329 mil trabalhadores. Quanto ao setor empregador (dono do próprio negócio), ocorreu redução de 192 mil pessoas, enquanto que os que optaram em trabalhar por conta própria tiveram um crescimento de 3,766 milhões de pessoas. O setor trabalho familiar auxiliar (quando o indivíduo complementa a renda familiar com uma atividade remunerada intermitente) teve crescimento de 137 mil.

Apesar de vários setores estarem com saldo positivo na geração de trabalho essa variação apresenta uma recuperação lenta da degradação do mercado de trabalho brasileiro, ocasionado pela crise econômica decorrente da pandemia, onde se pode verificar que, apesar do crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, ainda ocorreu o movimento migratório desta classe para atividades próprias como empregador ou trabalhando de maneira informal.

*Jefferson Marcondes Ferreira é Economista, Especialista em Controladoria pela Universidade Positivo, CFO Strategic pelo ISAE e atua como profissional de finanças há 17 anos. Atualmente, trabalha numa empresa de meio ambiente ligada ao reaproveitamento de materiais para matriz energética.