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PIB: à beira do abismo?

19/08/2019

PIB: à beira do abismo?

Perto de sermos informados sobre avanço ou retração da economia brasileira no segundo trimestre de 2019, o Brasil assiste a los hermanos irem na direção oposta da qual votaram na última eleição. Como diria um dos candidatos a eleição presidencial brasileira: “ahhh, os sinais!!!” Será um aviso para o nosso governante-mor? Será que o gradualismo na questão fiscal porteña copiado aqui não nos levará ao mesmo caminho?

Hoje (13-08), dia dos economistas, é difícil prever sobre economia no Brasil. Seja pela instabilidade do governo nacional (executivo e legislativo), seja pela peleja entre EUA e China, a profissão economista é bastante desafiada.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), uma espécie de prévia do PIB, mostra que a economia brasileira apresentou retração de 0,13% no 2T2019, comparado ao 1T2019. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a queda de 0,20% do PIB no 1T2019, quando comparado ao 4T2018. No gráfico a seguir, pode-se ver melhor o comportamento do PIB.

Fonte: IBGE; BCB; Ilustração: ISAE

Analisando o gráfico, parece que a amplitude das variações é menor nos últimos dois anos. Em princípio, algo bom, pois permite melhor aproveitamento de recursos. Mas a curva, em tendência, aponta para baixo. Para manter a esperança acesa, a FGV (Fundação Getulio Vargas), por meio do seu Monitor do PIB, aponta crescimento de 0,2% no PIB do 2T2019 sobre o 1T2019; e crescimento de 0,7% na comparação com 2T2018. Dentro do 2T2019, apresentou crescimento, em especial nos meses de maio e junho (sobre o mês anterior), de 0,5% e 0,7% respectivamente. Quem sabe esse 2T2019 seja o trimestre de reversão da tendência de queda do PIB?

Essa contradição entre IBC-Br e Monitor do PIB só nos garante que tanto crescimento como retração não serão de grande monta. Assim, não foi à toa que o BCB diminuiu a taxa do SELIC na última reunião do COPOM, seguindo tendência mundial. O governo diminuiu sua projeção de crescimento do PIB de 1,6% para 0,8% em 2019, ficando em linha com a crença do mercado financeiro, que aponta crescimento de 0,81%, conforme o Relatório FOCUS (09/08).

Dado que ainda gera desconforto é o do emprego (veja mais em https://painel.isaebrasil.com.br/category/mercado-de-trabalho/). Com esperança em melhorar esse dado, o governo confia na MP da Liberdade Econômica como alavancador do ambiente de negócios e da segurança jurídica dos contratos; somada a ela, a reforma tributária dá sinais de que está por vir. Se o governo continuar no ritmo de aprovações (lento?), como ocorreu com a reforma da previdência, quem sabe em 2021 teremos resultados práticos. Ainda cabe lembrar da “sem efeito” liberação do FGTS (os famosos 500 reais), projeto com diversas falhas e que, com certeza, não ganhará adesão de grande parte dos trabalhadores. Outra tentativa frustrada é a alíquota zero para bens de capital: quem vai investir com tanta capacidade instalada ociosa? Notícia boa (em tese) são os quase R$25 bi que as estatais lucraram no primeiro trimestre desse ano, com destaque para o BNDES, que aumentou quase cinco vezes o lucro do 1T2019 comparado ao 1T2018 (Joaquim Levi, saudades!!).

Essas diversas medidas de efeitos apenas midiáticos não mudam o cenário. Em vez de combater com força o déficit público, o governo brasileiro optou por fazer isso gradualmente, o que pode levar o Brasil a um futuro semelhante ao da Argentina: economia cambaleante e governo ameaçado.

Continuamos vigilantes para o cenário econômico interno e externo! Aguardamos os números da confiança dos empresários neste mês de agosto, após Argentina, China, EUA e outros amigos turbulentos.

Christian Frederico da Cunha Bundt foi aluno no CFO Strategic do ISAE; é Administrador, Mestre em Administração, Doutorando em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR, professor formador II da Universidade Estadual de Ponta Grossa e membro do Conselho Deliberativo da Associação Empresarial de São José dos Pinhais.

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