Christian Frederico da Cunha BundtCFO
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* Christian Frederico da Cunha Bundt

Nos últimos anos, estamos vendo o agronegócio brasileiro aumentar sua fatia de importância para a economia brasileira. E já não era sem tempo. Uma das grandes vocações do Brasil é a produção de alimentos, em função da vastidão de terras, clima e tecnologia desenvolvida e aplicada. Aguardemos o mesmo para outras vocações como a patente/produção de fármacos, pela vastidão de flora e fauna, e do turismo, pelo privilégio de nosso litoral, história e florestas, entre outros.

Mas a bola da vez é o agronegócio! E uma novidade em vias de se consolidar é o financiamento coletivo para o setor. Parece algo um tanto no sense, mas não é. Popularmente conhecido como crowdfunding, essa modalidade de financiamento vem adentrando em diversos ramos empresariais, principalmente nas áreas ligadas à economia circular e criativa. Também financia diversos empreendimentos na área de tecnologia. E por que não no agro? Depois de muitas empresas do setor acessarem venture capitals, private equities e abrirem capital na bolsa de valores, chegou a hora do financiamento coletivo.

O farm crowdfunding, crowdfarming ou financiamento coletivo para o agronegócio se aplica muito bem desde o pequeno ao grande produtor. É uma boa alternativa para a diversificação de investimentos, ainda mais com a taxa do Selic em 2% ao ano e menor que isso em muitos países do mundo.

Mais para o crowdfunding que para outros modelos de financiamento, algo se apresenta como de suma importância para o sucesso da captação: o Zeitgeist! E hoje certamente esse espírito está ligado à sustentabilidade. Por isso, só terão sucesso as captações de empreendimentos sustentáveis de fato, que mostrem valores além dos financeiros. Em outros modelos de financiamento, a demonstração de processos de gestão que se preocupam e cuidam do meio ambiente também tendem a deixar as taxas de juros menores. Mas no crowdfarming, essa característica de importância dos elementos não financeiros certamente é ponto de partida. Portanto, na propriedade rural, o tratamento das questões ambientais é tão importante quanto à taxa de retorno do negócio. Além disso, o storytelling precisa ser caprichado para mexer com o investidor, seguindo a linha dos investimentos do tipo ESG (environmental social governance).

As experiências internacionais e brasileiras com crowdfarming estão mais para as pequenas propriedades, principalmente de olerícolas e geralmente escapam, aqui no Brasil, das regulações da CVM. Em alguns países da américa do norte e latina, a designação farm to fork (do campo para o garfo) designa bem esses empreendimentos menores. Mas também existem experiências bem estruturadas e seguras de equity crowdfunding, como a Radix Investimentos, uma greentech florestal. Ela é caso de sucesso, bem focado em financiamento coletivo de florestas, e oferece oportunidades a partir de R$550 para qualquer pessoa física que tenha desejo de investir no agronegócio.

O foco deste texto é justamente chamar atenção para o que vem ocorrendo fora do Brasil com certa frequência. O conceito de financiamento coletivo usado nas pequenas chácaras e granjas, muitas vezes mais ligado à paixão dos investidores do que ao retorno financeiro propriamente dito, vem sendo colocado à prova em lavouras de porte médio e de culturas extensivas, como a soja. Além disso, a criação de animais também vem ganhando financiamento coletivo. E você, que é produtor de soja ou trigo, já pensou nessa possibilidade?

Pois vale olhar sítios de internet de organizações como Sustainable Food Trust (https://sustainablefoodtrust.org/), Harvest Returns (https://www.harvestreturns.com/), Farmfundr (https://www.farmfundr.com), Radix Investimetnos (https://radixflorestal.com.br/) e Crowdfarming (https://www.crowdfarming.com/), entre outras disponíveis. Você vai se surpreender com a quantidade de iniciativas e a diversidade de possibilidades. Tanto como investidor quanto como produtor, certamente vai encontrar presente o Zeitgeist, o que o fará pensar por que você ainda não é parte desse negócio!

Christian Frederico da Cunha Bundt é Administrador formado pela UFSM. Mestre em Administração pela UFSC. Completou o Programa CFO Strategic do ISAE/FGV/IBEF. Doutoramento na UTFPR, no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (em andamento), membro da Linha de Pesquisa Tecnologia e Desenvolvimento, no Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Avaliação de Sustentabilidade (NIPAS). Foi bolsista CNPq (Fixação de Recursos Humanos do CNPq – Nível G) e é técnico do Centro de Estudos de Risco em Gestão e Economia (CERGE) da UTFPR; membro do Conselho Deliberativo da Associação Empresarial de São José dos Pinhais e Coordena o Painel de Economia e Tendências Empresariais do ISAE.