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Negociação na Venezuela?

11/03/2019

 

As fronteiras sempre foram difíceis de controlar, tanto no passado como no presente. Que o explique o Barão do Rio Branco, que foi um dos grandes artífices da manutenção das fronteiras que fazem do Brasil um país continental. Novamente o conflito fronteiriço pode voltar a explodir, dada Fonte: Caged (saldo por município ajustado)

a tensa situação existente entre Brasil e Venezuela.

A crise da Venezuela, que expõe vários dramas humanos, está levando a uma possível explosão fronteiriça, a qual pode se transformar num choque de natureza militar. Isto demonstra o quanto é importante a democracia que um país pode ter e perder por ‘’caudilhismos’’ surgido através de políticas populistas, que de populares não têm nada, pois a população da Venezuela está sofrendo misérias ao mesmo nível das que sofreram alguns países na II Guerra Mundial. 

O mundo parece que tem mudado pela velocidade da informação, mas, por outro lado, as misérias humanas que governantes autodeclarados se dão ao luxo de continuar gerando, com intuito de ‘’ter o poder sem importar os meios’’, demonstram a importância da adoção de iniciativas consistentes e fortes para coibir determinadas atitudes. A colaboração internacional, que emerge na governança mundial, visando neutralizar este tipo de ações antidemocráticas, antiéticas e antipopulares, está permitindo que o povo venezuelano possa ainda ter esperança de mudar esta catastrófica situação, seja militarmente ou pela desidratação do regime que impera naquele país.

O retorno do Presidente Guaidó à Venezuela, após ser recebido com pompas de estadista no Brasil, Argentina, Paraguai e Equador, jogou o governo de Maduro na defensiva. Vale ressaltar as ameaças dos Estados Unidos que, caso acontecesse alguma agressão a Guaidó, daria uma resposta ‘’rápida, forte e significativa”.

Alguns analistas mostram que os chavistas estão caindo em contradição com relação ao apoio à Maduro, desgaste que também pode estar ocorrendo nas Forças Armadas. Pode ser um indicador de que as condições para um possível início das negociações ganham força.  Lembrando que o Grupo de Lima optou, por enquanto, apoiar as negociações como solução de curto prazo. Inobstante, acontecendo uma quebra nesta situação, as condições para uma solução militar, liderada pelos Estados Unidos, pode voltar a ser considerada. O fato é que Guaidó precisa começar a criar um poder alternativo a Maduro, no sentido de nomear um gabinete com ministros, especialmente na área da Economia e da Defesa, como forma de mostrar poder institucional.

É muito difícil fazer estimativas de longo prazo quando estão envolvidos governos autoritários e pouco democráticos, pois o poder que exercem é ¨eterno enquanto dura¨, mas às vezes uma pequena mudança na correlação de forças é suficiente para que caiam sem retorno. Basta lembrar o que aconteceu com os regimes socialistas após a queda do Muro de Berlim.

Esperamos que o resultado final seja o triunfo da democracia e da governança diplomática mundial na Venezuela e, finalmente, o retiro da atual liderança venezuelana para uma ‘’Ilha de Elba’’, para meditar a derrota imposta, como fez Napoleão, embora o personagem venezuelano esteja muito distante do que foi o grande estrategista e estadista francês.

René Berardi é professor do ISAE. Doutor em Sociologia (UFPR), com experiências como executivo e consultor  na OEA, Petrobras, Hewlett Packard, Sebrae e AGA gases.

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