Escolha uma Página
É necessária uma discussão séria sobre reforma da previdência e outros gastos. Será que nosso Congresso consegue?

11/03/2019

Antes de mais nada, importante destacar que a discussão da previdência é assunto de Estado, não de governo. Se é de Estado, é o Congresso Nacional que deve cumprir o maior papel. Sendo assim, é lá que o foco deve estar. Inobstante, acredito que muitas brasileiras e brasileiros têm receio de deixar para o Congresso tal discussão, analisando a situação pela perspectiva das casas legislativas, tão cheias de privilégios. Justamente neste ponto a reforma da previdência se mostra importante, mas não suficiente. O leão é mais faminto do que parece. Os poderes constituídos da república são entes pesados, muito grandes, que consomem recursos em excesso e os gastam mal.

Olhando apenas o poder legislativo, cada senador pode chegar a custar R$ 7 milhões por ano e um deputado federal R$ 2,2 milhões. No Paraná, cada deputado estadual pode custar até R$1,8 milhão por ano, segundo o Observatório Social de Maringá. Pense agora nos 27 governadores, vices e assembleias legislativas; nos quase 5,5 mil prefeitos e seus 5,5 mil vices; nas quase 5,5 mil câmaras com seus mais de 50 mil vereadores. Insira nessa equação o poder judiciário, com seus mais de 18 mil juízes, desembargadores; e o ministério público com seus milhares de promotores em diversos níveis… Considere ainda, para alguns deles, a aposentadoria integral com apenas 16 anos de serviços, jatinhos da FAB à disposição, viagens, auxílio mudança, auxílio paletó e outras mordomias. Para agravar o cenário, pense essa situação ‘evoluindo’ durante uns 35 anos.

Esse freakconomics assusta a qualquer cidadão que saiba razoavelmente as quatro operações matemáticas. Olhando para trás, parece que a monarquia teve seu nome trocado para presidencialismo e os títulos dos barões, viscondes, condes, marqueses e duques se transforam em vereadores, deputados, prefeitos, governadores, ministro, juízes, promotores…

Como disse Percival Puggina, “o futuro deixou de ser um prego onde, simbolicamente, estavam penduradas nossas promissórias e veio atropelar-nos, também simbolicamente, como um trem andando em nossa direção”. Acho o máximo essa frase, pois ela representa a ‘administração de boteco’ (perdoem-me os bons botecos) que o Brasil teve ao longo de muitos anos. E agora parafraseando Puggina, não é possível que os políticos (executivo e legislativo), os membros do judiciário e ministério público, em sua prodigalidade e patrimonialismo, queiram voar de primeira classe ou executiva, mandando a conta das mordomias para a turma da cabine de trás ou para a turma da fila do ônibus. Ainda tenho esperança (poucas) de que isso mude. E você?

Apesar da pouca esperança, milito em foros que pregam e praticam tal ‘despatrimonialização’, ainda que algumas existam por lá também; exerço meu trabalho recusando a tais mordomias. Ensino meus filhos e a quem consigo influenciar, que as mordomias pertencem a quem as conquista com os próprios esforços ou as recebe ‘do berço’.

Olhando para trás, sem perder o senso prático, também não podemos esquecer os estudiosos do tema ‘tamanho’ do governo, como Arthur Laffer (autor da conhecida curva de Laffer), que afirmava que não adianta o governo simplesmente aumentar os impostos (olha a monarquia aí gente!!!) toda a vez que necessitasse de recursos, pois a partir de determinado peso da cobrança, o montante arrecadado começaria a diminuir. Na época da monarquia também era assim, Laffer apenas teorizou a prática.  Já o casal Romer, na tentativa de precisar a teoria de Laffer, afirmava que a partir de 33%, em média, era o ponto de início dessa diminuição. Ou seja, o governo cobrando impostos (de qualquer tipo e somados) maiores que 33%, não teria a arrecadação aumentada.

E já que estamos falando em gastos, também não podemos esquecer a PEC 241 (PEC do teto), uma das poucas e boas contribuições do governo Temer.  E sempre penso que não precisaríamos de legislação para algo que aprendemos desde a infância: não gastar mais do que se arrecada!

Com tantos exemplos bons no mundo e com tanta massa cinzenta disponível, por que este tema é pouco discutido seriamente, sem interesses corporativos, sem proteção de qualquer classe e sem medo?

 

Christian Frederico da Cunha Bundt foi aluno no CFO Strategic do ISAE; é Administrador, Mestre em Administração, Doutorando em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR, professor formador II da Universidade Estadual de Ponta Grossa e membro do Conselho Deliberaivo da Associação Empresarial de São José dos Pinhais.

Artigos relacionados

PIB: à beira do abismo?

Perto de sermos informados sobre avanço ou retração da economia brasileira no segundo trimestre de 2019, o Brasil assiste a los hermanos irem na direção oposta da qual votaram na última eleição.

Atualize-se sobre as tendências empresarias e econômicas do Brasil e do mundo.

Assine nossa Newsletter

Atualize-se sobre as tendências empresariais e econômicas do Brasil e do mundo. Tenha a análise de dados e opinião de especialistas da área.

 

Siga o ISAE nas redes

Acompanhe as novidades do ISAE Escola de Negócios.