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E o Oscar vai para… Inteligência Artificial

11/03/2019

 Com mais de 130 milhões de assinantes, a Netflix, um dos maiores serviços de streaming do mundo, fecha 2018 com faturamento de US$ 15.7 bilhões, o que significa mais de 50% de market share. Estima-se que 37% da população global de internautas são assinantes e que 15% de todos conteúdo transmitido pela internet têm origem na empresa. Ainda assim números pouco representativos para o mundo do cinema.

Filmes como Avatar (2009) e Titanic (1997), ambos do mesmo diretor, James Cameron, lideram a lista de maiores receitas da sétima arte, totalizando, desde sua distribuição inicial, US$ 2.8 e US$ 2.2 bilhões, respectivamente. Com orçamentos que giram em torno de 10% de sua receita, se tornam ótimos investimentos. É evidente que por trás de 2 horas de entretenimento existem milhares de horas de montagem, refeições, atuação, computação gráfica, direitos autorais, cinemas…etc. E mesmo que tudo saia perfeitamente e o conteúdo seja excelente, se a distribuição for fraca a tendência é o fracasso. Em torno de 4% do orçamento dos filmes citados são direcionados para distribuição. Destacar-se no cinema é uma tarefa muito complexa, para poucos.

É possível fazer ligação com a realidade do ramo da hotelaria, dos transportes e do varejo há alguns anos, que, com o advento de novas plataformas como AirBnB, Uber e AliExpress, empresas com praticamente nenhuma experiência nos seus setores passaram a conectar partes interessadas, uma em obter um produto ou serviço e outra disposta a pagar por ele. A Netflix seguiu o mesmo caminho, vinculando espectadores com produtoras de seriados, filmes, animações, documentários e shows. Então, passou a direcionar para si o interesse que antes estava nas TVs abertas e a cabo, recentemente ultrapassando estes meios de comunicação. Em uma pesquisa realizada pela Hub Entertainment Research, durante o mês de outubro de 2018, com idades entre 16 e 74 anos, 32% dos Norte Americanos preferem Netflix, contra 26% resistentes que ainda optam pela TV aberta.

Mas a Netflix desenvolveu um diferencial crucial. Enquanto a AirBnB se vangloria por ser a maior empresa hoteleira do mundo sem nenhum hotel, a Uber a maior empresa de logística sem nenhum automóvel e o AliExpress o maior varejista sem nenhuma loja, a Netflix comemora duas recentes conquistas, reflexo do aumento de investimentos em produções próprias. Primeira: estava entre os indicados ao Oscar 2019 para melhor filme, com Roma – dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón. Segunda: quando obteve 45 milhões de visualizações do sucesso “Bird Box”, protagonizado pela atriz Sandra Bullock. Nada mal para uma empresa que alguns anos atrás era apenas uma transmissora de conteúdo, passando a ser premiada no Oscar 2019.

O fato é que a grande maioria dos diretores de sucesso possui uma carreira com diversos filmes pouco relevantes, até ganhar experiência e demonstrar que é capaz de converter algumas centenas de milhões em alguns bilhões. Mas através da Inteligência Artificial este aprendizado de uma vida inteira pode ser construído/imitado em alguns dias por algoritmos de inteligência artificial. Em poucas horas todos os filmes já produzidos são analisados, agrupados e classificados. Os principais sites de avaliação servem como base para que o algoritmo entenda a relevância de cada produção. Comentários escritos em blogs, jornais e sites de avaliação são analisados através da linguagem natural, em todos os idiomas disponíveis, o que separa pontos fortes e fracos, por filme e por país. Com este grande volume de cruzamentos é possível para o algoritmo escrever diferentes roteiros de um mesmo filme, utilizando como base todo histórico disponível sobre a filmologia.

Já conhecemos as regras para uma boa estória. John Campbell, em 1988, apresentou ao mundo sua proposta de uma boa estória (imagem abaixo), a Jornada do Herói. Se você leitor prestar atenção em como estas etapas se desdobram perceberá que a grande maioria dos filmes possui este padrão. A tecnologia será apenas um habilitador para identificar a jornada mais interessante para cada espectador. Será que a Netflix adotou essa fórmula?

Jornada do Herói – Joseph Campbell

Referências:

Pesquisa Hub Entertainment Research  (https://hubresearchllc.com/reports/ )

Filme Roma (https://www.netflix.com/br/title/80240715 )

Christian Geronasso Consultor com mais de 10 anos de experiência, especializado na identificação e construção de propostas de valor em diversos segmentos. Especialista em p Digital e Inovação na empresa alemã SAP, uma das principais empresas de tecnologia do mundo. Evangelista da nova cadeia de valor da tecnologia. Redator da coluna de Inovação e Tecnologia do ISAE subsidiária da Fundação Getúlio Vargas.

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