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* Jefferson Marcondes Ferreira

O IBGE divulgou em 28/01/2021 dados referentes à PNAD/Mensal, que apresentou taxa de desemprego de 14,10% no trimestre Set/Out/Nov de 2020. Quando comparado ao trimestre anterior (Jun/Jul/Ago de 202 0) verifica-se redução de 0,30 p.p., o que totaliza 229 mil pessoas que encontraram ocupação de um trimestre para outro. Em comparação com o mesmo período no ano anterior ocorreu aumento de 2,90 p.p., algo em torno 2,160 milhões pessoas que não encontraram trabalho, conforme apresentado no gráfico adiante:

Evolução da Taxa de Desemprego Trimestral (Pnad/Mensal)

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar a evolução da taxa de desemprego em relação ao mesmo período em 2019, verifica-se que o aumento da taxa está relacionado com a pandemia que impôs restrições ao funcionamento da economia. Quanto ao trimestre anterior, é possível observar que há uma retomada lenta e gradual na geração de emprego, que em parte, também é explicada pela sazonalidade do período. A baixa na confiança na economia brasileira, somada à necessidade da efetivação das reformas como da previdência e tributária, bem como o ambiente incerto quanto à vacinação em relação à COVID-19, indica que a retomada da geração de empregos também estará sujeita a variações sazonais.

Mercado de Trabalho: Análise da mão de obra ocupada no Brasil (Set/Out/Nov de 2020)
Analisando os dados da Pnad/Mensal do período, observa-se que o total de pessoas aptas a trabalhar teve um acréscimo de 4,613 milhões quando comparado ao mesmo período em 2019, conforme descrito na tabela a seguir:

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar o item ‘pessoas aptas a trabalhar desempregadas’, percebe-se aumento de 2.160 milhões pessoas em relação ao mesmo período em 2019. Este movimento é explicado em boa parte também pela população que voltou a buscar trabalho, antes desconsiderada da força de trabalho. Já com relação àquelas pessoas aptas a trabalhar e que estavam empregadas, houve uma retração de 8,838 milhões, o que representa uma redução de 9,36%.
Quando é analisada a variação de vagas do trabalhador entre os setores de trabalho no período de Set/Out/Nov de 2019 e Set/Out/Nov de 2020, verifica-se que o setor privado com carteira assinada teve redução de 3,457 milhões de trabalhadores, conforme apresentado no gráfico a seguir

Variação das pessoas ocupadas nos setores entre Set/Out/Nov de 2019 e Set/Out/Nov de 2020

Fonte: Pnad/M (IBGE)/ ilustração: ISAE.

No setor privado sem carteira assinada observou-se redução de 2,077 milhões de trabalhadores, reflexo das limitações impostas à economia pelas ações de controle e combate ao COVID-19. Referente ao setor doméstico este apresentou redução 1,565 milhões de trabalhadores que perderam sua atividade remunerada. Já o setor público teve aumento de 500 mil trabalhadores. Quanto ao setor empregador (dono do próprio negócio), teve uma redução de 562 mil pessoas, o mesmo movimento ocorreu com as pessoas que optaram em trabalhar por conta própria tiveram redução de 1,66 milhões pessoas e o setor trabalho familiar auxiliar (quando o indivíduo complementa a renda familiar com uma atividade remunerada intermitente) teve redução de 15 mil.
O combate à Pandemia resultou em redução da atividade econômica brasileira assim como a mundial. No Brasil pode-se ver que vários setores estão com saldo negativo na geração de trabalho, mas vale ressaltar que além desta situação sazonal que tende a mudar com a vacinação em massa, a economia brasileira tem o desafio da reconstrução do mercado de trabalho, após a degradação desde 2015, visando ao crescimento da formalidade que resulta no efeito em cascata na economia, bem como dos outros setores que fomentam o mercado de trabalho. Contudo essa reconstrução deverá estar pautada na dinamização da economia, que poderá começar com a efetivação das reformas administrativa e tributária.

*Jefferson Marcondes Ferreira é Economista, Especialista em Controladoria pela Universidade Positivo e atua como profissional de finanças há 17 anos. Atualmente, trabalha numa empresa de meio ambiente ligada ao reaproveitamento de materiais para matriz energética.