"Jefferson Marcondes"; "Christian Bundt"
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O IBGE divulgou, em 31/10/19, dados referentes à PNAD/Mensal, que apresentou taxa de desemprego 11,80% no trimestre jul-ago-set/2019. Quando comparada ao trimestre abr-mai-jun/2019 anterior verifica-se uma redução de 0,20%, indicando que quase 250 mil pessoas encontraram ocupação. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, ocorreu redução de 0,10%, algo em torno de 65 mil pessoas que não encontraram trabalho, conforme apresentado no gráfico a seguir.

Evolução da Taxa de Desemprego Trimestral (Pnad/Mensal)

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar a evolução da taxa de desemprego em relação ao mesmo período de 2018, verifica-se que, apesar da taxa de desemprego ser menor em 2019, ocorreu aumento do número de desempregados. Tal variação deve-se ao aumento do número de pessoas buscando ocupação. Quanto ao trimestre anterior, é possível observar a sazonalidade do período e a retomada lenta da economia.

Mercado de Trabalho: análise da mão de obra ocupada no Brasil (jul-ago-set/2019)

Analisando os dados da Pnad/Mensal no período de jul-ago-set/2019, observa-se que o total de pessoas aptas a trabalhar teve um acréscimo de pouco mais de 1,4 milhões de pessoas, quando comparado ao mesmo período em 2018, conforme descrito na tabela a seguir.


Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar o item pessoas aptas a trabalhar – desempregadas ocorreu aumento de 65 mil pessoas em relação ao mesmo período em 2018. Este movimento é, em parte, explicado pela população que voltou a buscar trabalho e que estava fora da força de trabalho, que teve redução de 108 mil pessoas. Já com relação àquelas que encontraram ocupação no período, houve crescimento de 1,468 milhões, o que representa aumento de 1,59%.

Quando se analisa a variação de vagas entre os setores de trabalho, no período de jul-ago-set/18 e jul-ago-set /19, verifica-se que o setor privado com carteira assinada teve aumento de 166 mil trabalhadores que encontraram trabalho formal na comparação com 2018, conforme apresentado no gráfico adiante.

Variação das pessoas ocupadas nos setores (jun-jul-ago/18 e jun-jul-ago/19)

Fonte: Pnad/M (IBGE)/ ilustração: ISAE.

No setor privado sem carteira assinada observou-se aumento de 385 mil trabalhadores, o que representa o aumento da informalidade. O setor doméstico apresentou aumento 35 mil trabalhadores, que encontraram atividade remunerada. Já no setor público houve redução de 7 mil trabalhadores. Quanto ao setor empregador, teve uma redução de 48 mil pessoas, enquanto as pessoas que optaram em trabalhar por conta própria tiveram crescimento de quase 1 milhão de pessoas e o setor de trabalho familiar auxiliar (quando o indivíduo complementa a renda familiar com uma atividade remunerada intermitente) teve uma redução de 77 mil.

Apesar de vários setores estarem com saldo positivo na geração de trabalho, essa variação mostra recuperação lenta da degradação do mercado de trabalho brasileiro, ocasionado pela crise econômica. Pode-se verificar que ocorreu movimento migratório de trabalhadores com carteira assinada para outras formas de trabalho informal, o que em geral é algo negativo, apontando para baixa qualidade de vida no trabalho (na concepção tradicional).

*Jefferson Marcondes Ferreira é Economista, Especialista em Controladoria pela Universidade Positivo e atua como profissional de finanças há 15 anos. Atualmente, trabalha numa empresa de meio ambiente ligada a reaproveitamento de materiais para matriz energética.