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Mercado de trabalho no Brasil: PNAD/M aponta taxa de desemprego de 11,80%.

O IBGE divulgou em 27/09/19 dados referentes à PNAD/Mensal, que apresentou taxa de desemprego no trimestre Jun, Jul, Ago/2019 de 11,80%. Quando comparada ao trimestre anterior Mar, Abr, Mai/2019, verifica-se uma redução de 0,50%, representando quase 419 mil pessoas que encontraram ocupação. Em comparação com o mesmo período no ano anterior, ocorreu redução de 0,30%, algo em torno de 100 mil pessoas que encontraram trabalho, conforme apresentado no gráfico a seguir:

Evolução da Taxa de Desemprego Trimestral Brasileira na Pnad/Mensal – comparação Jun-Jul-Ago/18 e Jun-Jul-Ago/19

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar o comportamento da taxa de desemprego, tanto em relação ao mesmo período em 2018 quanto ao trimestre anterior, é possível observar retomada lenta e gradual na geração de emprego, em parte explicada pela sazonalidade do período. Com a estabilidade do índice de confiança em patamares que indicam falta de confiança na economia brasileira (tanto de consumidores quanto empresários, em maioria), somada à necessidade da efetivação das reformas como da previdência e tributária, a geração de empregos estará sujeita a variações sazonais com perspectiva negativa ou a criar vagas de baixa qualidade.

 

Mercado de Trabalho: Análise da mão de obra ocupada no Brasil (Jun-Jul-Ago/2019)

Na análise dos dados da Pnad/Mensal no período de Jun-Jul-Ago/2019, observa-se que o total de pessoas aptas a trabalhar teve um acréscimo de 1,532 milhões quando comparado ao mesmo período em 2018, conforme descrito na tabela a seguir:

Análise dos quantitativos de pessoas aptas a trabalhar no mercado de trabalho brasileiro na Pnad/M – comparação Jun-Jul-Ago/18 e Jun-Jul-Ago/19

Fonte: Pnad/M (IBGE) / ilustração: ISAE.

Ao analisar o item Pessoas aptas a trabalhar – desempregadas, os números de 2019 mostram redução de 100 mil pessoas em relação ao mesmo período em 2018. Este movimento é, em parte, explicado pelo número de pessoas que conseguiu ocupação, como também pela população que voltou a buscar trabalho (e estava fora da força de trabalho), que apresentou redução de 208 mil. Já com relação àquelas que encontraram ocupação no período, houve crescimento de 1,841 milhões, o que representa aumento em torno de 2%.

Quando se analisa a variação de vagas de trabalho entre os setores, no período de Jun-Jul-Ago/18 e Jun-Jul-Ago/19, verifica-se que o setor privado com carteira assinada teve aumento de 140 mil trabalhadores que encontraram trabalho formal na comparação com 2018, conforme apresentado no gráfico adiante:

Variação das pessoas ocupadas nos setores da Pnad/M – comparação Jun-Jul-Ago/18 e Jun-Jul-Ago/19

Fonte: Pnad/M (IBGE)/ ilustração: ISAE.

No Setor Privado sem Carteira Assinada observou-se aumento de 660 mil trabalhadores, o que deve representar aumento da informalidade do trimestre Jun-Jul-Ago de 2018 para o mesmo período em 2019. Referente ao Setor Doméstico, este apresentou aumento de 3 mil trabalhadores que encontraram atividade remunerada. Já no Setor Público houve redução de 4 mil trabalhadores. Quanto ao setor Empregador (dono do próprio negócio), houve redução de 71 mil pessoas, enquanto o número de cidadãs(ãos) que optaram por trabalhar por Conta Própria cresceu 1.089 milhão. O setor Trabalho Familiar Auxiliar, quando o indivíduo complementa a renda familiar com atividade remunerada intermitente (os conhecidos bicos), teve aumento de 23 mil trabalhadores no período.

Apesar de vários setores estarem com saldo positivo na geração de trabalho, essa variação ainda mostra cenas da recuperação lenta da degradação do mercado de trabalho brasileiro, ocasionado pela crise econômica. Outro ponto a destacar é o quantitativo de trabalhadores com carteira assinada, que, apesar de mostrar crescimento no período analisado, claramente aponta o  movimento migratório dos trabalhadores entre os setores, com um sinal claro de aumento intenso do trabalho sem carteira ou por conta própria, que representou cerca de 95% do crescimento do número de trabalhadores ocupados na força de trabalho quando se comparam os números de Jun-Jul-Ago de 2018 e 2019.

*Jefferson Marcondes Ferreira é Economista, Especialista em Controladoria pela Universidade Positivo e atua como profissional de finanças há 15 anos. Atualmente, trabalha numa empresa de meio ambiente ligada a reaproveitamento de materiais para matriz energética.