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PIB e confiança: aquele um 1%… de novo!

11/03/2019

No último dia de fevereiro de 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados oficiais sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018: 1,1% de crescimento sobre o ano de 2017.  O mercado financeiro esperava 1,2%. O PIB de 2018 somou cerca de R$ 6,8 trilhões.

Antes de continuar a análise dos dados de 2018, vamos ‘começar do começo’: o que é PIB? Conceitualmente, é usado para medir e avaliar a dinâmica macroecônomica. Ele pode ser descrito e calculado a partir da oferta (produção), da demanda (consumo) e da renda, mas antes de tudo se fala em quantidades e preços. Esse conceito é basilar e é importante ser lembrado. A figura a seguir ajuda a entender melhor.

MEIOS DE CALCULAR O PIB

Fonte: Feijó Carmen, Contabilidade Social; Elsevier 5ª Edição; SIMONSEN. M.H Editoria FGV 2009; R. Glenn HUBBARD e Anthony P. O’BRIEN (Introdução à economia); ilustração ISAE/FGV.

Se o PIB é visto a partir da produção (em quantidades), para se chegar a um valor total é necessário que sejam multiplicadas essas quantidades por seus respectivos preços. E, ano a ano, existe inflação. Então, é preciso fixar um ano base, onde está ancorada a análise e, a partir dele, aplicar o deflator. No caso brasileiro, este ano é 1995, ano este definido pelo IBGE. Dessa forma temos o PIB sempre “atualizado”, deixando a comparação acertada.

Numa análise menos profunda, na busca das principais explicações para o fenômeno PIB, pode-se elencar fatores como o aumento da renda (ou do crédito), o aumento da oferta/consumo, o estímulo a alguns setores industriais (via crédito ou desoneração fiscal) e o crescimento do comércio internacional. Até mesmo alguns ocupantes de cargos públicos buscam para si a origem desses feitos, mas a análise é bem mais complexa do que parece ser.

Para alguns economistas, como Murray N. Rothbard, a fórmula do PIB contém em si elementos paradoxais, como os impostos arrecadados e os gastos do governo, já que estes são feitos à custa do consumo privado ou da produção. Por outro lado, se o governo ‘atrapalha’, o comércio exterior pode ser a antítese, pois traz dinheiro externo no caso das exportações maiores que importações. A despeito dos conceitos, o PIB é o indicador utilizado mundialmente nas economias neoliberais para medir o seu desempenho. E, no Brasil, não é diferente.

Na análise anual do PIB local pode-se perceber que o comportamento do indicador, no período dos últimos 23 anos (na comparação ano a ano), esteve quase sempre no campo positivo, mas com tendência de baixa. Veja:

Fonte: IBGE; ilustração: ISAE.

 Do período analisado, apenas três anos ficam negativos. Então o retrato não é tão feio assim. O que se pode dizer é que as variações são prejudiciais, pois a falta da linearidade de crescimento não permite aproveitar melhor os recursos (maximizá-los). Mas em economia, ceteris paribus não é de fato ficção?

Mergulhando no PIB, é importante verificar qual é a sua composição. Veja os gráficos a seguir.

Fonte: IBGE; ilustração: ISAE.

Assim como em 2017, a distribuição do PIB pela demanda, em 2018, continua tendo o consumo das famílias como o segmento mais representativo e o que cresceu. Não houve alteração significativa na representatividade dos segmentos da demanda de um ano para o outro.

Já pelo lado da oferta ou da produção, apesar da composição não ter sofrido alterações significativas, há um sinal amarelo piscante: a representatividade dos impostos no PIB cresceu quase 0,7% de 2017 para 2018. Observe o quadro a seguir para entender melhor a distribuição do PIB pela ótica da oferta.

Fonte: IBGE; ilustração: ISAE.

Em 2017, os impostos representaram 13,89% do PIB. Em 2018, corresponderam a 14,57%. Isto significa que o valor agregado representou, em 2018, quase 0,7% a menos que em 2017. Numa economia que cresce pouco, parece que a voracidade arrecadatória não diminuiu. É uma lástima e um sintoma preocupante, ao passo que o governo não diminuiu seus gastos e tampouco os qualificou.

A boa notícia vem do destaque do crescimento no setor de serviços, que cresceu 1,3% em 2018, comparado a 2017. Lembremos que é o setor mais representativo no PIB e o que mais emprega no país. No segmento de serviços, destaque para o comércio e para os transportes, que mais cresceram.

Já a agricultura pode ser considerada a grande impulsionadora do PIB, após a safra recorde de 2017 e que, em 2018, gerou a segunda maior safra da história, pouco menor em decorrência de mudanças climáticas com queda na produção de milho e laranja, além do impacto negativo da paralisação dos caminhoneiros. Destaque positivo para o café e para o algodão que cresceram sua produção em quase 30%, cada (mesmo assim ainda são consideradas lavouras pequenas perto do milho).

A indústria, por sua vez, apresentou crescimento de 0,6% de 2017 para 2018. Apesar do pequeno valor, trata-se de uma mudança relevante na medida em que o setor vinha tendo taxas negativas há vários anos. Em 2018, destaques positivos para o setor de eletricidade, transformação e extrativismo. Já a construção civil registra o quinto ano seguido de quedas, marcando 2,5% de diminuição em 2018, comparativamente com 2017.

O desafio é grande! O foco agora está no governo, em como ele lidará com a questão da previdência e noutros fronts de cortes de gasto, tão importantes quanto à previdência. No próximo painel vamos explorar a previsão do PIB para 2019.

Diante de tantas informações e cenários desafiadores e divergentes, aumenta a responsabilidade de quem conduz os rumos do Brasil. Por isso, continuamos vigilantes para o cenário econômico interno e externo.

ORA ET LABORA! É o que nos resta neste agora!

Christian Frederico da Cunha Bundt foi aluno no CFO Strategic do ISAE; é Administrador, Mestre em Administração, Doutorando em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR, professor formador II da Universidade Estadual de Ponta Grossa e membro do Conselho Deliberaivo da Associação Empresarial de São José dos Pinhais.

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