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A queda do Comércio Exterior Brasileiro no G20

31/05/2019

A queda do Comércio Exterior Brasileiro no G20

Segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o comércio internacional brasileiro apresentou a terceira maior queda em valor entre os países do G20. Com isso, os resultados só ficaram a frente da Coreia do Sul e da Indonésia.

 No primeiro trimestre de 2019 as exportações brasileiras registraram US$ 58,6 bilhões, enquanto no 4º trimestre de 2018 o resultado verificado foi de U$ 62,6 bilhões. Com relação às importações, o primeiro trimestre de 2019 apresentou US$ 42,4 bilhões ante US$ 45,2 bilhões no trimestre anterior.

 A incerteza e instabilidade do mercado com a desvalorização do real contribuem para o atual cenário de comércio internacional do país que apresenta tendências a quedas maiores caso a economia do país não se ajuste às circunstâncias atuais.

 A guerra comercial entre EUA e China também desacelera os negócios em nível global, principalmente nos países com economias emergentes. Para o Brasil, até o momento, esse embate teve efeitos positivos, como o fato dos aumentos de impostos de alimentos dos EUA para a China, a qual começou a importar mais soja do Brasil.

 Outro aspecto que pode se transformar em oportunidade para o Brasil é a peste suína africana que avança na China, comprometendo 35% da produção daquele país. Como solução de continuidade a China vem buscando negócios com os frigoríficos brasileiros. Com esta demanda inesperada, os empresários do setor estão adequando suas plantas, o que proporcionará aumento na geração de empregos. Outro reflexo, não tanto auspicioso pela ótica do consumidor, é que os preços das carnes podem ter aumento no mercado brasileiro.

 A crise cambial da Argentina também afetou as exportações brasileiras, principalmente no setor automotivo, o que fazendo com que o Brasil comece a prospectar novas oportunidades em outros países.

  Vale destacar, também, que o Reino Unido apresentou crescimento de 5% nas suas exportações, devido à estocagem de empresas e ao aumento da atividade comercial em meio às indefinições provocadas pelo Brexit.

 Nessa cena, a Organização Mundial do Comércio (OMC) relata que a diminuição dos negócios internacionais terá continuidade no segundo trimestre. As perspectivas não são favoráveis caso as tensões não sejam resolvidas ou se políticas macroeconômicas fracassarem nos ajustamentos necessários às circunstâncias atuais.

 O Brasil precisa reagir à incógnita do momento em que se encontra em sua fase de reestruturação econômica, onde as decisões tomadas impactam nos negócios internacionais do país. A indústria brasileira, por sua extensão, ainda está voltada ao mercado interno, o que torna o Brasil como o país mais fechado para o comércio internacional entre todos os demais integrantes do G20. Ainda somos vistos como o gigante adormecido no Comércio Exterior.

 Não obstante, apesar da morosidade nas decisões a serem tomadas pelo atual governo, a expectativa dos empresários é de otimismo com o foco no aumento da participação do comércio internacional brasileiro no (PIB) Produto Interno Bruto e novos acordos internacionais. A expansão internacional e os acordos com investidores serão importantes para a melhor integração do Brasil dentro do G20 bem como a definição das perspectivas futuras nos negócios internacionais.

 O fato é que existem sinais de desaceleração econômica mundial, porém, caso o cenário internacional seja ruim para as outras economias, para o Brasil poderá ser a oportunidade de novos investimentos estrangeiros.

Robson Amorim é Administrador de Empresas, Professor do ISAE e Gestor de Negócios Internacionais. Colaborador do Painel de Economia e Tendências Empresariais do ISAE.

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